Com verdade se diz que: “O homem foi criado com o propósito de glorificar a Deus, e manter comunhão com Ele”. Uma forma de fazê-lo e gozar comunhão com Ele é por meio da adoração. Segundo Isaías 43:7, fomos criados para a glória de Deus, e em Efésios 1:12 lemos que “fomos predestinados com o fim de sermos para louvor da sua glória”. Também em João 4:23 o Senhor Jesus disse que: “O Pai procura a tais que assim o adorem”.
Não é de estranhar pois, que a primeira pergunta registrada no Novo Testamento tenha a ver com adoração (Mt 2:22); nem tampouco que o Senhor tenha elogiado a Maria, logo após ter sido o objeto de sua adoração em Betânia. Segundo o Senhor, Maria escolheu a boa parte (Mt 26:6-13; Lc 10:38-42).
Que é a adoração e como se efetua?
Ainda que não se encontre uma definição do que é a adoração nas escrituras, podemos entretanto, chegar a uma observando as palavras empregadas no assunto, e os exemplos registrados. A raiz da palavra hebraica para adoração significa “inclinar-se” (Ex 4:31; 33:10). No Novo Testamento se empregam as palavras gregas “Proskuneo”, que significa “fazer reverência; prostrar-se; render homenagem” ou seja, algo que denote um ato exterior com ou sem uma correspondente atitude interior (Mt 2:22; 2:8, 11; 4:10; 8:2); e “Sebomai”, que pode traduzir-se como “reverenciar, sentir temor ou devoção por” (At 16:14; 18:7, 13) ou seja, que expressa uma atitude interior. A adoração verdadeira, deve conter ambos os elementos e deve distinguir-se claramente do serviço, pregação, entre outros.
Deus o Supremo Objeto
O Senhor destacou isso ao dizer: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Ex 20:13; Dt 6:13; Mt 4:10). Sendo o Senhor Jesus Cristo Deus como o Pai também ele compartilha desta adoração (Mt 14:33; 28:17; Jo 5:23; 9:38; 10:30). Que Deus e seu Filho sejam sempre o objeto supremo e único de nossa contemplação e adoração.
Há também outras coisas importantes ligadas com a adoração, tais como:
Oferenda – Adorar não significa ir a Deus para pedir senão para oferecer a Ele o nosso tributo de louvor e gratidão. Como pecadores só podemos acercar-nos Dele com mãos vazias, porém, como sacerdotes que somos (I Pe 2:5-9; Ap 1:6) devemos aproximarmo-nos Dele com ofertas (Dt 16:16). Que ofertas são essas? Conforme Hebreus 13:15 são “sacrifícios de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome”; conforme Romanos 12:1-2 é o nosso corpo, nossa pessoa; e conforme Filipenses 4:18 e Hebreus 13:66 são os nossos bens materiais.
Reverência – Assim como o Sumo Sacerdote na antiguidade e como Moisés , e Josué (Ex 3:5; 5:15), a reverência deve caracterizar nossa adoração, pois, estamos na presença santa de Deus.
Exercício de Autoexame Prévios (I Cor 11:27-28) – Um coração e uma consciência com pecado não têm liberdade para adorar. Uma vida cheia com o mundo tampouco tem o desejo de faze-lo. Daí a necessidade de exercício e preparação adequados, mediante um autoexame diante de Deus e sua palavra. Isto são requisitos prévios indispensáveis, para uma real e eficaz adoração.
Comunhão – Além da adoração diária individual, temos o privilégio de participar da adoração em comunhão com os irmãos na santa intimidade do “círculo familiar” da Igreja (I Cor 11; 14:15-17; Hb 10:19-25). Esta adoração é promovida pela participação de cada irmão e irmã em comunhão uns com os outros e na energia do Espírito Santo.
Inspiração – A inspiração para a adoração vem mediante a leitura da Palavra de Deus, a contemplação da pessoa do Senhor Jesus, e a leitura e entoação de hinos de louvor. Em tudo isto o Espírito Santo atua em nossos corações como a mão que ergue o véu do santuário, permitindo-nos ver a mais santa e excelente glória de Deus.
Adorar deve ser a atitude normal e o exercício constante de nossa alma para com Deus aqui na terra. Sem dúvida será nossa feliz e eterna atividade no céu diante do trono de glória (Ap 5).
J. B. Rodrigues