A Mente do Crente

As palavras “sentidos” em II Coríntios 3:14 e 11:3; “entendimentos” em II Coríntios 4:4 e 10:5; e “sentimentos” em Filipenses 4:7, tem um mesmo sentido que é mente, pensamentos ou entendimento. Em II Coríntios 11:3 temos mentes corrompidas. É interessante notar que enquanto II Coríntios 3:14 e 4:4 trata de incrédulos, II Coríntios 11:3 trata de crentes. O significado mais forte de corrupção é o apodrecimento de um corpo morto (At 13:36). Aqui, no entanto, significa perder as qualidades primitivas, alterando-se para um estado pior ou inferior. Seriam mentes estragadas. E que prejuízo!

Uma mente corrompida já não é mais capaz de apreciar como antes as grandes verdades da Palavra de Deus. Visto que em I Coríntios 15:33 lemos do efeito das más companhias daqueles que negam a verdade e tem doutrina falsa, devemos estar avisados para não nos deixarmos corromper dando ouvidos a tais conversações.

É interessante notar a ligação que é feita aqui com a maneira como a serpente enganou Eva. Foi com astúcia. Ainda até os dias atuais a “antiga serpente” é perita nas suas astúcias para corromper a mente do crente e apartá-lo da simplicidade que há em Cristo.

Também podemos notar que na tentação lá no jardim do Éden, a mulher viu que a árvore era “desejável para dar entendimento”; é um caso semelhante ao que temos aqui. Correremos um grande perigo se como Eva quisermos ser demasiadamente entendidos. Saber com temperança é o que Deus nos recomenda na Sua Palavra (Rm 12).

Os falsos mestres em Corinto estavam procurando convencer a Igreja a se afastar de Cristo por meio da apresentação de um Evangelho diferente. Devemos ter muito cuidado quando ouvimos coisas diferentes daquelas que temos aprendido das Sagradas Escrituras.

Um entendimento ou uma mente cativa é o assunto de II Coríntios 10:5. um cativo é alguém que está dominado por outro. Pensando nisto podemos dizer que aquele que conhece a Deus por meio da Sua Palavra deve se tornar submisso a Cristo em tudo. Somos nós que temos a responsabilidade de não deixarmos que os nossos pensamentos estejam soltos e ocupados com coisas que alimentem a carne.

Sejamos, irmãos, sujeitos a Cristo procurando não desagradá-Lo naquilo que vemos, ouvimos ou lemos. Pensamentos soltos nessas coisas não combinam com uma mente cativa a Cristo. Em resumo, podemos dizer que a nossa mente e pensamentos tem de ser dominados por Cristo.

Uma mente guardada é o assunto de Filipenses 4:7. A palavra “guardado”, aqui, é um termo militar e significa providenciar proteção como guarnição faz. “A paz de Deus que excede todo o entendimento guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus”. Nesse caso, o que nos guarnece interiormente (nossos corações e nossos sentimentos) é a paz de Deus. A paz de Deus excede todo o entendimento, isto é, é impossível de ser explicada pelo homem. A paz de Deus é a paz interior, o estado da alma do crente, que depois de já ter a paz com Deus, leva a Ele também todas as suas aflições e dificuldades, por meio de oração e súplicas com ações de graças.

É isto que o mundano não pode compreender, como é que o crente reage de um modo tão diferente nas suas aflições. Temos grandes recursos em Deus ao nosso dispor! Com essa paz os acontecimentos do mundo ao nosso redor não mexem, e o seu segredo está no exercício da oração por parte de cada filho de Deus. Assim a paz de Deus guarda-nos contra a ansiedade tão comum no mundo ao nosso redor.

Em terminar, podemos notar que devemos fugir da possibilidade da corrupção, devemos encarar a nossa responsabilidade de sujeição a Cristo e devemos nos exercitar na oração e súplicas, gozando desse modo a realidade da paz de Deus.

“SIGAMOS POIS AS COISAS QUE SERVEM PARA A PAZ E PARA A EDIFICAÇÃO DE UNS PARA COM OS OUTROS” (Rm 14:19).

Fonte: “Palavras de Edificação”, janeiro de 1984.

Leitura e Impressão